Uma organização que adota a responsabilidade social procura elaborar relatórios de sustentabilidade para medir, divulgar e prestar contas de seu desempenho econômico, social e ambiental junto a seus públicos de relacionamento.

Um guia que fornece orientação para que as empresas de qualquer porte possam divulgar seu desempenho de sustentabilidade foi elaborado pelo GRI (Global Reporting Initiative), que é uma fundação holandesa baseada em uma rede de indivíduos e organizações originários de mais de 60 países incluindo grupos de stakeholders representativos do mundo dos negócios, da sociedade civil, da academia, do trabalho e outras instituições profissionais.

As Diretrizes para Elaboração de Relatórios de Sustentabilidade, juntamente com os Protocolos de Indicadores, são o elemento fundamental da estrutura de reporte mais utilizada mundialmente, que foi proposta pelo GRI em 2006 (GRI, 2006). Elas estão estruturadas em duas partes:

  • Parte 1 – Princípios e Orientações para Reporte
    • Definição do conteúdo aplicando os princípios de materialidade, inclusão de stakeholders, contexto de sustentabilidade e abrangência;
    • Controle da qualidade do relatório aplicando os princípios de equilíbrio, comparabilidade, exatidão, periodicidade, clareza e confiabilidade;
    • Orientações para estabelecer o limite do relatório, identificando as unidades de negócios que serão reportadas

GRI-Relatório de Sustentabilidade-Princípios de conteúdo e qualidade

Tabela 3.9 – Princípios de conteúdo e qualidade (Adaptado de GRI, 2006)

  • Parte 2 – Conteúdo do Relatório
    • Perfil: informações que sustentem a compreensão do desempenho da organização e de seu comprometimento com a responsabilidade socioambiental, tais como sua estratégia, perfil corporativo e governança;
    • Forma de Gestão: para cada conjunto de indicadores de desempenho, a organização manifesta seus objetivos, políticas, responsabilidades, treinamentos aplicáveis, monitoramento e acompanhamento realizados, certificações, dentre outras informações.
    • Indicadores de Desempenho: é o trecho do relatório onde ocorre a comunicação dos resultados obtidos em cada categoria de sustentabilidade, ou seja, é o reporte dos indicadores econômicos, ambientais, de práticas trabalhistas e trabalho decente, de direitos humanos, da sociedade e da responsabilidade pelo produto.

GRI-Relatórios de Sustentabilidade-Foco em gestão e indicadores ambientais

Figura 3.26 – Diretrizes para elaboração de relatório de sustentabilidade com foco em gestão e indicadores ambientais (Adaptado de GRI, 2006)

As empresas relatoras devem declarar o nível de aplicação de sua Estrutura de Relatórios da GRI. Associados com a maturidade apresentada no relatório de sustentabilidade, existem níveis de aplicação C (iniciante), B (intermediário) e A (avançado). Uma organização poderá autodeclarar um ponto a mais (+) em cada nível (por exemplo, C+, B+, A+), caso tenha sido utilizada verificação externa para o relatório.

GRI-Níveis de aplicação de um relatório de sustentabilidade

Figura 3.27 – Níveis de aplicação de um relatório de sustentabilidade (GRI, 2006)

No protocolo de indicadores do GRI encontramos dois tipos: essenciais e adicionais. Os indicadores essenciais são aplicáveis à maioria das organizações relatoras e representam assunto de interesse para grande parte dos stakeholders, enquanto os indicadores adicionais representam uma prática emergente ainda de interesse específico para as partes interessadas.

Fica claro que o requisito mínimo de um relatório de sustentabilidade baseado no GRI é a apresentação de 10 indicadores de desempenho, com pelo menos um de cada área econômica, social e ambiental. Apesar disso, dado que o propósito de nosso estudo é apresentar a uma organização a melhor abordagem para a criação e execução de uma estratégia de ações ambientais e uma proposta de comunicação dela aos públicos de relacionamento, vamos somente realizar o detalhamento dos indicadores do meio ambiente.

São oito os indicadores ambientais do GRI: materiais; energia; água; biodiversidade; emissões, efluentes e resíduos; produtos e serviços; conformidade; transporte e, finalmente, o aspecto geral. O primeiro conjunto de indicadores (EN1 a EN15) que destacamos refere-se ao uso de matéria-prima, energia e recursos naturais, além de tratar da preservação da biodiversidade:

GRI-Indicadores  ambientais: materiais, energia, água e biodiversidade

Tabela 3.10 – Indicadores  ambientais: materiais, energia, água e biodiversidade (Adaptado de GRI, 2006)

Nessas tabelas de indicadores que estamos apresentando, aqueles caracterizados como essenciais estão em células de cor vermelha e os adicionais em cor cinza.

Os aspectos e impactos ambientais relacionados às emissões, efluentes e resíduos (EN16 a EN25) são descritos a seguir:

GRI-Indicadores  ambientais: emissões, efluentes e resíduos

Tabela 3.11 – Indicadores  ambientais: emissões, efluentes e resíduos (Adaptado de GRI, 2006)

Em nossa opinião, o próximo conjunto de indicadores (EN26 a EN30) que apresentamos ainda vai sofrer evoluções significativas nas próximas revisões do protocolo por conta da utilização da abordagem de ecodesign, ecoeficiência e análise do ciclo de vida, especialmente aqueles ligados a produtos, serviços e transportes:

GRI-Indicadores  ambientais: produtos e serviços, conformidade

Tabela 3.12 – Indicadores  ambientais: produtos e serviços, conformidade e outros (Adaptado de GRI, 2006)

 

* A lista de livros e links citados nos posts é encontrada ao fim de cada página desse blog.