Nossa vida e nosso sistema econômico serão intensamente impactados pela exaustão dos recursos naturais ao longo das próximas décadas. Cidadãos, empresas e governos sofrerão forte pressão por mudança em suas atividades diárias tendo em vista a escassez e a perda de qualidade dos principais recursos naturais (água, solo, ar e biodiversidade).

O impacto provocado pelo homem nas mudanças climáticas e a necessidade de limitação no acréscimo da temperatura global em até 2°C através da redução de emissão de gases efeito estufa foi um dos poucos consensos obtidos na COP15, a 15.ª Conferência das Partes, patrocinada pela ONU e ocorrida entre os dias 7 e 18 de dezembro de 2009, em Copenhague. A conseqüente evolução deste assunto vai provocar a criação de regulamentações internacionais e legislações nacionais que vão afetar o modus operandi das empresas e o estilo de vida dos cidadãos.

Todos terão uma parcela de responsabilidade na implantação das ações que vão evitar os transtornos decorrentes da exaustão dos recursos naturais e das mudanças climáticas. A sociedade deve contribuir apoiando a promoção de uma mudança cultural que valorize o consumo consciente e o desenvolvimento sustentável. As empresas devem buscar a responsabilidade social empresarial com o objetivo de alterar seus processos produtivos e adotar inovações tecnológicas para criar produtos de menor impacto ambiental utilizando menos recursos naturais (ecoeficiência).

Um de nossos enfoques neste estudo será apresentar às empresas quais práticas de responsabilidade social empresarial (RSE) podem ser adotadas para alcançar a ecoeficiência. Segundo a ISO 26000 (ISO26000, 2010), a RSE é definida como sendo a responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades sobre a sociedade e o meio ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que:

  • Contribua para o desenvolvimento sustentável, a saúde e o bem-estar da sociedade;
  • Leve em consideração as expectativas das partes interessadas;
  • Esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com normas internacionais de comportamento;
  • Seja integrado por toda a organização e seus relacionamentos.

A ISO 26000 estabelece quais temas centrais que uma organização deveria considerar para identificar e abordar a natureza de suas responsabilidades em relação à sociedade e ao meio ambiente:

  1. Governança Organizacional: conformidade com a legislação e regulamentações; reconhecimento dos direitos dos stakeholders; conduta ética; responsabilidade por ações (accountability) e transparência;
  2. Direitos Humanos: direitos civis e políticos; direitos econômicos, sociais e culturais; grupos vulneráveis e direitos fundamentais do trabalho;
  3. Práticas de Trabalho: emprego; direito dos trabalhadores; diálogo social; saúde e segurança ocupacional; desenvolvimento humano dos trabalhadores;
  4. Meio Ambiente: identificação e gerenciamento dos aspectos ambientais de atividades, produtos e serviços; promoção da sustentabilidade no consumo e na produção; uso sustentável de recursos; mudanças climáticas e serviços ecológicos;
  5. Práticas Leais de Operação: relacionamento com autoridades governamentais (incluindo combate à corrupção); concorrência e negociação justas; promoção da responsabilidade social;
  6. Questões relativas a Consumidores: práticas justas de negócios; marketing e informações; proteção à saúde e segurança do consumidor; mecanismos para “recall”; provisão e desenvolvimento de produtos e serviços ambiental e socialmente benéficos; serviço e suporte pós-fornecimento e resolução de disputas; privacidade e proteção aos dados do consumidor; acesso a produtos e serviços essenciais; educação e conscientização; consumo consciente;
  7. Envolvimento da Comunidade e Desenvolvimento Social: contribuição para o desenvolvimento social e econômico; envolvimento da comunidade (UNIETHOS, 2008).

Dada a abrangência do conceito de responsabilidade social empresarial, vamos abordar em nosso trabalho somente o tema central Meio Ambiente para identificar as ações ambientais que as organizações realizam em busca da ecoeficiência, utilizando-as como principal mensagem na comunicação ambiental e no diálogo com os stakeholders.

* A lista de livros e links citados nos posts é encontrada ao fim de cada página desse blog.